Rota SuperQuadra – um roteiro para experimentar como é morar em Brasília

6 set, 2014 17 Comments

Dia desses conseguimos uma horinha para mais uma vez fazer turismo em Brasília. A convite das queridas parceiras do Experimente Brasília, fomos conferir a #Rota SuperQuadra.

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Se você ainda não conhece o Experimente Brasília, dá uma olhadinha aqui na Rota StreetArt que fizemos em Brasília a convite deles. Ah, entra no site da empresa também para conhecer melhor a proposta de experiências que eles oferecem para a gente descobrir Brasília de um jeito completamente diferente, proporcionando experiências turísticas fora do roteiro tradicional da cidade.

A Superquadra

Superquadra é o conceito de morar em Brasília. Nos planos de Lucio Costa, a superquadra é o elemento básico do Plano Piloto. Deveria ser constituída de quatro quadras residenciais, com edifícios de até seis pavimentos, cercadas por faixas arborizadas de vinte metros de largura e intercaladas por ruas comerciais. O único conjunto de quadras em que o projeto foi realmente executado, foi o conjunto das quadras 308/108 e 307/107 sul. Essa superquadra, também chamada de Unidade Vizinhança, contém os demais elementos idealizados – igreja, escola, clube de vizinhança, posto de saúde, jardim de infância, biblioteca e cinema. 

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A #Rota SuperQuadra é uma experiência que fazemos a pé percorrendo a nossa superquadra modelo de Brasília – a 308 sul. Durante a manhã de uma sexta feira de sol e generoso céu azul, percorremos alamedas, jardins, blocos, cobogós e pilotis deste território modernista único. Conduzidos pelo morador da quadra e historiador Ylian Miranda, descobrimos prédios de Oscar Niemeyer, espaços projetados por Lúcio Costa, obras do artista Athos Bulcão e do paisagista Burle Marx, penetramos na vida real das pessoas que ocuparam e se tornaram parte do ambicioso projeto da nova capital.

Ylian Miranda é brasiliense, historiador e, desde que nasceu, é morador da “superquadra modelo”. Sua família foi uma das primeiras a habitar o bloco onde mora, antes mesmo de Brasília ser inaugurada. Conhece cada canto do bairro, coleciona histórias peculiares e achados que te farão mergulhar na singularidade do morar brasiliense.

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O passeio começa na Igrejinha, um clássico cartão postal de Brasília e um marco da superquadra. Ela serve tanto de ponto de encontro dos moradores como obra de arte a céu aberto. Aqui observamos os únicos azulejos figurativos de Athos Bulcão. Um clássico brasiliense :mrgreen:

 

Seguimos com Ylian e suas histórias e curiosidades sobre sua quadra para conhecer e entender melhor o paisagismo de Burle Marx proposto para a 308 sul. Como foi construída sob os princípios modernistas, a superquadra expressa o pensamento voltado para a socialização do espaço. Aqui na 308, Burle Marx intensificou esse princípio ao criar acessos que harmonizam a composição paisagística – a beleza plástica de seu projeto tem a intenção de conduzir o observador a um estado de contemplação e reflexão.

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Foi muito curioso entender as funções dos elementos na quadra – cada jardim e tipo de planta, suas dimensões e histórias, foram pensados meticulosamente para compor o plano da superquadra e desenvolver uma função, ainda que apenas afetiva, em alguns casos. As alamedas de árvores de copas largas, com seus vinte metros de largura, servem para dar sombra aos pedestres e também como uma cortina verde, para evitar uma exposição do interior dos apartamentos. Genial!

E a 308 sul esconde tesouros até mesmo dos que acham que conhecem bem Brasília. Sabe o que mais me surpreendeu? Um oásis em meio a quadra – um dos prédios tem seu próprio espelho d’água! Incrível e surpreendente.

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Outra curiosidade que tenho certeza de que poucos sabem é que existem prédios com menos de seis andares! Há um prédio de apenas quatro andares aqui (descobri que existem alguns outros infiltrados por aí, qualquer dia desses farei uma expedição em busca deles, hihi) 🙂

Apreciando a quadra de maneira íntima, caminhamos por baixo dos blocos, observamos os cobogós, visitamos a charmosa biblioteca (ela é linda, pequenina e com um jardim de inverno super simpático, pena que não pode tirar fotos!), ouvimos histórias lendárias que Ylian dividiu conosco, reparamos em azulejos que podíamos jurar que eram de Athos Bulcão, mas fomos “acordados” para a realidade e fomos ensinados a perceber os detalhes que os descaracterizam e logo não teriam como ser creditados a ele.

 

Na fachada do Jardim de Infância, fomos apresentados a outra forma inusitada e inovadora dos azulejos de Athos Bulcão – aqui eles não possuem esmaltação! A referência do artista é a relação de construção do aprendizado, é como se a ausência da esmaltação em seus azulejos e as formas rústicas que apresentam remetesse a forma infantil de processo de aprendizagem. É como se nos dissesse: “estamos em construção” – achei incrível.

jardim-de-infancia-308

Vimos locais onde foram gravadas cenas do filme “Somos Tão Jovens“. Esse filme retrata a juventude do cantor Renato Russo na época em que viveu aqui.

Andamos pelo serpentário do bloco H, fomos até a escola classe, entendemos a função do clube Vizinhança, tiramos fotos, sentamos perto do anfiteatro para um momento de contemplação (como queria Burle Marx) e seguimos para o Espaço Cultural 508 sul.

 

O Espaço Cultural 508 sul já foi palco para as manifestações artísticas e culturais de Brasília. Nos galpões do Espaço estrearam bandas de rock’n roll como a Legião Urbana. Hoje, a edificação está fechada para uso por falta de manutenção predial, o que deixou as instalações em condições precárias. Mas ainda assim, seus muros servem de mural para a expressão artística da cidade – um enorme painel que “expõe” a street art de diversos personagens brasilienses (tem até o Gurulino!)

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Aqui nos despedimos de Ylian e agradecemos por ter nos conduzido pela história que pulsa na superquadra 308 sul. A memória mais viva e rica que temos do que foi o projeto da construção de Brasília.

E nossa dica é finalizar o passeio comendo uma tradicional ‘dupla’ com refresco na Pizzaria Dom Bosco, que está logo ali na comercial da 107/108 sul. Esse é um dos locais mais tradicionais de Brasília e é frequentado por todos os tipo de moradores, até os mais famosos – Nelson Piquet é um cliente assíduo 🙂

Esse é um passeio turístico inovador que te mostra Brasília por outra ótica, esteja você a passeio ou seja você um morador da Capital Federal. Valeu muito a pena!

#ap

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Camilla Kafino

17 Comments

  1. Responder

    Rosana Gemaque

    12 dez, 2016

    Olá Camilla,

    Li seu blog e agendei o passeio na superquadra para o sábado, dia 10/dez/16.

    Eu estava com meu marido e meus filhos de 10 e 12 anos. Encontramos com o Ylian na igrejinha e seguimos por um passeio sem pressa pelos blocos da superquadra 308. Caminhamos cerca de 3 horas e queríamos mais 🙂

    O passeio é interessante pra adultos e crianças e isto é incrível! O Ylian é a chave para que isso aconteça. Ele ensinou aos meus filhos as brincadeiras que fazia quando criança hahaha.

    Ficamos muito felizes e queria agradecer por você ter compartilhado esta preciosa dica! Conhecer um pouco de Brasília sob o olhar de um morador (e historiador) foi realmente uma experiência que deixou nossa viagem muito mais especial!

    Abraco,

    Rosana – Manaus/AM

    Responder

    dezembro 13th, 2016
    Camilla

    Oi Rosana!
    muito obrigada por seu depoimento e seu feedback. Estou aqui toda feliz e radiante em ter podido ajudar. E mais feliz ainda que vocês tiveram uma experiência tão bacana em Brasília.
    Voltem sempre e sempre que precisar de ajudar, é só perguntar por aqui.
    um grande abraço,
    Camilla

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  2. Responder

    Laira

    11 mar, 2015

    Camilla,

    Super amei esse roteiro e estou super curiosa para conhecer esses detalhes “escondidos” de Brasília! Nasci em Brasília, sempre morei em Brasília, e nunca soube que existe um bloco com o seu próprio espelho d’água! Tem muita coisa sensacional para descobrirmos por aí!!!

    Bjo grande!

    Responder

    março 11th, 2015
    Camilla

    Não é mesmo Laira?! Eu também fiquei muito emocionada ao descobrir esses segredinhos da Capital!

    Muito obrigada pela visita e um beijo.
    Camilla

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  3. Responder

    Flora

    10 mar, 2015

    Que linda esta sua Brasilia! Não tinha visto este seu post antes. Só me deixou mais curiosa para conhecer. #chegalogoabril #EncontroBsB

    Responder

    março 11th, 2015
    Camilla

    Que legal Flora! Obrigada pelo carinho, estou muito ansiosa para chegar nosso encontro, para mostrar esses cantinhos escondidos para vocês todos se apaixonarem pela minha cidade 🙂

    um beijo e obrigada pela visita,
    Camilla

    Responder

  4. Responder

    Jota Marcelo, Uruaçu GO

    1 nov, 2014

    Por favor, esse prédio do bloco H (detalhe) azul é exatamente onde o Renato morou?

    Responder

    novembro 2nd, 2014
    Camilla

    Olá Jota Marcelo,
    é sim, esse é o prédio do Renato sim. Não sei em qual andar, mas isso é bem fácil de descobrir, provavelmente só perguntar para o porteiro que ele terá o maior prazer em te contar algumas histórias.
    Obrigada pela visita.
    um abraço,
    Camilla

    Responder

  5. Responder

    Camila Navarro

    30 set, 2014

    Xará, eu tô adorando acompanhar as suas andanças por Brasília! Você me mostra (e tenho certeza de que pra muita gente) uma Brasília que eu não imaginava que existia. Já estive aí duas vezes, mas só fiz aquele circuito clássico. Quero é conhecer essa cidade interessante que você nos apresenta! Mas você já sabe que é só marcar a data para o encontro aí que eu já corro pra comprar a passagem, né? 😉

    Beijos!

    Responder

    setembro 30th, 2014
    Camilla

    Ah Camila, que lindo!me emocionei aqui.
    Só tenho a dizer que a cidade está cada dia mais vibrante e com muita vida. Tem muita coisa acontecendo e descobrir os cantinhos daqui só me deixa mais feliz. Como é bom ser um viajante não importa onde estejamos – o olhar curioso e as descobertas diárias só me empolgam para cada dia partilhar isso com quem lê.
    O encontro está se desenhando, vamos recebê-los com o maior carinho. E é tão bom saber que podemos contar com seu apoio.
    Um grande beijo querida,

    Camilla Kafino

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    Ricardo Freire

    28 set, 2014

    Quando morei em Brasília, no início dos anos 70, a gente ia à 308 (e à 116) pra brincar de subir nas árvores! Eram as únicas da cidade que tinham árvores já frondosas!

    Outra: fui lobinho, e meu grupo escoteiro tinha sede no Clube Unidade de Vizinhança da 308.

    Eu pegaria algumas dessas quadras que não fizeram seus clubes de vizinhança e deixaria construir hotéis (que não fossem mais altos que o Cine Brasília).

    Responder

    setembro 28th, 2014
    Camilla

    Oi Riq,

    que privilégio ter você aqui 🙂
    Não sabia que você tinha sido escoteiro, hihi!

    E acho que a ideia de hotéis para as áreas que não aproveitaram os espaços destinado aos clubes de vizinhança sensacional!! Se um dia eu tiver oportunidade, levarei o pleito à Secretaria de Turismo (mesmo sabendo que nosso plano diretor é de uma complicação sem tamanho).

    Muito obrigada pela visita,
    beijão,
    Camilla

    Responder

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