Viajantes frequentes normalmente são pessoas que já tiveram uma boa parte de experiências de tudo o que pode rolar durante uma viagem, certo? Mas mesmo os mais experientes não conseguem prever tudo e, às vezes, um detalhe que pode parecer tão simples acaba dando um baita nó na sua viagem.

Felizmente, depois que tudo passa e acaba bem, essas histórias viram memórias divertidas que aproveitamos para compartilhar com os amigos e dar boas risadas.

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O caso que vou contar aconteceu com um amigo de trabalho que, mesmo viajando frequentemente ao exterior para participar de reuniões e outros trabalhos, se atrapalhou com um detalhe sobre o destino, o que impactou de uma forma bastante inusitada sua chegada ao local.

O país em questão era o Chipre

O Chipre é uma ilha do Mediterrâneo que pertence, ao mesmo tempo, à Grécia (parte sul) e à Turquia (parte norte) e, segundo as leis internacionais, a ilha de Chipre, em sua totalidade, é um país independente. Porém, em 1974, a Turquia invadiu e ocupou a parte norte da ilha. E aí, claro, está a pegadinha dessa história. Ambos os lados (o turco e o independente) dividem a capital Nicósia (localmente ela é conhecida como Lefkosia)! Um belo nó, até para os mais experientes, não é mesmo? Quando foram emitir o bilhete aéreo do colega, fizeram dentro da rotina –> País = Chipre, Aeroporto = Nicósia. E aí nossa história começa. Quem emitiu o bilhete não devia ter ideia da historinha que eu acabei de contar, sobre o Chipre ser uma ilha que pertence a dois países dividida em dois países. Muito menos que esses países estão em estado permanente de conflito naquele lugar! Porque se a pessoa tivesse alguma ideia sobre qualquer dessas coisas, ela teria conferido de forma dedicada para qual aeroporto de Nicósia ela deveria comprar a passagem.

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E Murphy, aquele cara genial que sempre vem ao nosso socorro (#sqn), atuou de forma exemplar. Afinal, o lado mais tranquilo e visitado do Chipre é o lado independente, por que então comprar passagem para a Nicósia de lá e não para a outra que nunca recebe ninguém? Deve ter sido o que Murphy pensou.

A saga do colega começou ao aterrissar no aeroporto turco de Nicósia e sequer se dar conta disso. Mesmo estranhando a pouca movimentação, as caras de poucos amigos e ninguém por perto falando inglês. Ele se dirigiu à imigração, pegou as malas e dali um ônibus que deveria passar no caminho do hotel. Pelo gps o tal ônibus até passou pelo hotel, mas quem disse que ele fez menção de parar? O motorista falou algumas palavras indecifráveis (e nem era grego :mrgreen: ) e seguiu com o ônibus até chegar no ponto final. Ali, um pouco perdido (!), o colega quis saber quando o veículo retornaria para o aeroporto (assim ele daria um jeito de descer onde precisava) e a resposta foi categórica – aquele ônibus tinha encerrado o serviço do dia e nenhum outro sairia para o aeroporto. Ali mesmo ele procurou um táxi que, mesmo com uma comunicação rudimentar, concordou em levá-lo no lugar apontado no mapa, desde que ele pagasse. Tudo acertado, e quando você pensa que está prestes a chegar no seu hotel, o taxista para na entrada da fronteira e pede que ele desça. O colega argumentou, pois haviam combinado, mas o que deu para entender é que a imigração não permitia que o táxi cruzasse a fronteira. E que dali ele deveria cruzar a fronteira a pé!! Ele se dirigiu para o guichê turco, uma humilde cabine com cara de abandonada no tempo no meio de um lugar um tanto desolador. Explicou a situação para o agente de imigração que teve até boa vontade em carimbar seu passaporte com a saída do lado norte, mas ele também alertou o colega sobre as dificuldades que enfrentaria do outro lado.

Já desolado, ele cruzou a fronteira até o lado grego independente, para o que ele pensava ser apenas mais uma rotina de carimbos e explicações. Enquanto se encaminhava até o outro lado, reparou naquela zona que dividia aqueles dois domínios, debaixo de chuva, arrastando a mala durante a noite, num cenário que mais lembrava uma área de guerra.

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Do lado ‘grego’, a imigração parecia um lugar acolhedor, uma construção bonita e bem iluminada. Ali, porém, o andamento desta saga ainda não queria chegar ao seu desfecho. Muitas explicações depois, tudo que o colega conseguiu foi a informação da maior pegadinha de sua vida (num momento nada agradável) – ele não poderia entrar por falta de visto! O Chipre não exige visto para brasileiros nem para entrar no lado turco nem no lado independente. A pegadinha – essa regra só é válida para chegadas no aeroporto, por via terrestre, há exigência de visto! O colega não pode entrar. Foi orientado a retornar para o lado turco e pegar um voo para chegar à Nicósia não-turca. E como saga é saga, claro que ele não conseguiria um voo direto. Fiz algumas pesquisas e descobri que só há voos diretos na ilha do lado sul para o norte. Para chegar ao outro lado da cidade, o colega teve que pegar um voo para Istambul, dali para Atenas e só então aterrissar em seu destino final – Nicósia, a grega, no caso a independente.

Fica então a máxima – informação sobre seu destino nunca é demais e pode te ajudar nos momentos mais delicados da viagem.

E se você ficou curioso para conhecer o Chipre (eu fiquei!!), dá uma olhada nestes relatos aqui:

Dri Everywhere

 

Camilla Kafino

6 Comments

  1. Responder

    José Roberto Penteado

    6 jun, 2014

    Vamos a algumas correções. Primeiro que a parte Sul não pertence a Grécia e sim é um país independente membro da CEE. Segundo a entrada pela parte norte se faz por um aeroporto não reconhecido. Terceiro que o Aeroporto Oficial da república do Chipre é o de Larnaca e é muito bom. Quarto que quem vai da parte Sul para a parte Norte necessita de visto dado nos pontos de controles turcos. Ou seja, se você entra pelo Norte, não consegue entrar na parte Sul, pois os turcos exigem a sua entrada pela parte Sul.

    Responder

    junho 10th, 2014
    Camilla

    Olá José,
    obrigada pelo comentário. Acabei pesquisando mais a fundo suas colocações e, mesmo elas, merecem correções. Vou colocar as observações apontadas ao longo do texto para que o leitor não tenha informações equivocadas!
    Mais uma vez, obrigada por partilhar e colaborar com a melhoria e qualidade da informação aqui propagada.
    um abraço e volte sempre.

    Camilla

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    Carol Owen

    4 maio, 2014

    Caramba, eu fiquei tensa tb ao ler essa historia! Ainda bem que Murphy nao fez isso comigo qdo visitei o Chipre. A proposito, tou fazendo um blog as avessas, documentando minhas viagens desde 2006 e por enquanto meu primeiro e unico destino documentado foi o Chipre – pingapingaworld.net Ainda tou engatinhando nesse mundo de blog. A proposito, parabens pelo blog!!!

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    maio 5th, 2014
    Camilla

    Pois é Carol, uma aventura mesmo =)
    Obrigada pela visita e parabéns pelo seu blog. Sucesso.
    Volte sempre,
    um grande abraço,
    Camilla

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    Marcelo Lemos

    8 fev, 2014

    Camilla!
    Que história tensa!
    Isso dava um belo roteiro de um filme! Hahahaha. Vende essa ideia pra ele 😛

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    fevereiro 10th, 2014
    Camilla

    Muito tensa, Marcelo!! eu ri muito, mas fiquei nervosa enquanto ele me contava 🙂

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